Metodologia e diário de correções
De onde vêm os números, o que fazemos com eles antes de mostrar, e a lista pública de tudo o que já corrigimos no caminho. Esta página é sobre o método — o acervo montado é o produto e continua no site, atrás do login.
📌 Por que publicar os próprios erros? Porque errar num acervo de 52 milhões de linhas é inevitável, e o que separa um trabalho sério de um mapa bonito é procurar o erro, corrigir no dado e contar que corrigiu. Cada conserto abaixo foi medido pelo próprio servidor: os números que aparecem em cada linha são os que ele registrou quando a correção rodou.
1. De onde vêm os dados
Todo número de eleição deste site vem do Portal de Dados Abertos do TSE (dadosabertos.tse.jus.br), que é público e gratuito. Nenhum voto, nenhum eleitor e nenhum resultado é digitado à mão, estimado ou comprado de terceiro. O que não vem do TSE está listado no item 1.2 — e nunca é número de urna.
- Votação por local de votação — quantos votos cada número recebeu em cada prédio, por ano, turno, zona e local. É a peça central.
- Detalhe da votação — eleitores aptos, comparecimento e abstenção do mesmo recorte.
- Candidatos — nome de urna, nome civil, número, partido, coligação e a situação final (eleito, suplente, não eleito, e por qual caminho).
- Locais de votação — nome do prédio, endereço, bairro e coordenada.
- Pesquisas registradas (PesqEle) — para comparar pesquisa com urna.
Cobertura: Ceará, todos os 184 municípios. Candidaturas desde 1994; votação urna a urna desde 1998. 1998 e 2000 não têm voto por local — o TSE só publicou por zona naqueles anos, e o site diz isso onde faz diferença. Presidente não tem voto por local no conjunto usado.
1.1. De quando é este acervo
Um acervo eleitoral não tem uma data só, e confundir as datas é o erro mais comum de quem lê dado de eleição. Os números abaixo são medidos do próprio acervo toda vez que esta página abre — não há data escrita à mão em lugar nenhum, então não existe a possibilidade de ficarem velhos sem que o site perceba.
Por que "apurado" e "registrado" são anos diferentes: voto apurado só existe depois que a eleição acontece; registro de candidatura existe assim que o candidato pede inscrição, meses antes. Em ano de eleição, portanto, é normal o acervo enxergar candidaturas de um ano à frente do último resultado — é o que permite ao site mostrar quem está na disputa antes de haver um único voto contado.
1.2. O que NÃO vem do TSE
Duas coisas no site não saem do arquivo eleitoral, porque não existem nele. Estão declaradas aqui e citadas na própria tela onde aparecem — nenhuma delas é voto, eleitor ou resultado.
- A sucessão de prefeitos anterior a 1997. O TSE só publica candidatura de prefeito a
partir de 1996, e quem venceu em 1996 tomou posse em 1997. Meio século de prefeitos fica de
fora do arquivo eleitoral. Onde existe fonte publicada e conferível, o site mostra quem
governou — com a fonte e a data da consulta ao lado do nome, e com o aviso de que aquilo
é sucessão, não resultado de urna. No Estado Novo (1937–1945) o prefeito era de livre
nomeação do governador em todo município (Constituição de 1937, art. 27); a Constituição de
1946 devolveu a eleição, menos ao prefeito da Capital (art. 28, § 1º); a de 1967 manteve a
nomeação nas capitais e estendeu-a às estâncias hidrominerais e aos municípios declarados de
interesse da segurança nacional (art. 16, § 1º); e a eleição direta nesses municípios só
voltou em 15 de novembro de 1985 (Emenda Constitucional nº 25/1985, art. 2º). Os quatro
dispositivos foram conferidos em fonte primária, no Planalto.
Regra do acervo: nome sem fonte não entra, e só entram fontes institucionais — o site oficial da prefeitura ou uma publicação com editor responsável; blog e wiki servem de pista, nunca de fonte. Períodos e grafias vão como a fonte publica, inclusive quando ela se sobrepõe ou deixa buraco: consertar a fonte por conta própria seria inventar, e o buraco aparece dito na tela, no lugar certo da cronologia.
Hoje há acervo para 26 dos 184 municípios e 242 mandatos, o mais antigo de 1919: Fortaleza vem do Anuário do Ceará (Fundação Demócrito Rocha) e os outros 25 da galeria de gestores do site oficial da própria prefeitura — Alto Santo, Aurora, Baixio, Barreira, Boa Viagem, Capistrano, Cedro, Frecheirinha, Ibicuitinga, Ipueiras, Itaitinga, Juazeiro do Norte, Milhã, Mombaça, Novo Oriente, Orós, Palmácia, Pindoretama, Piquet Carneiro, Santana do Acaraú, São Gonçalo do Amarante, Solonópole, Tabuleiro do Norte, Tianguá e Várzea Alegre. Nos demais 158 a tela diz que falta, em vez de calar, e convida quem tiver a galeria da sua cidade a mandar pelo canal de correção. - Bandeira e brasão dos municípios. Vêm do Wikimedia Commons. Bandeira e brasão de município são criados por lei municipal, e ato oficial não é protegido por direito autoral no Brasil (Lei 9.610/98, art. 8º, IV); ainda assim o desenho de cada arquivo pode ter autor e licença próprios, e por isso o site guarda e mostra os três — autor, licença e endereço da página.
2. O que fazemos com o dado antes de mostrar
Os arquivos do TSE são corretos e são difíceis. Estas são as decisões de tratamento que tomamos, todas visíveis nas telas onde importam:
Identidade das pessoas
A ligação entre eleições é feita pela pessoa registrada no TSE, não pelo nome de urna — quem muda de apelido entre campanhas continua sendo a mesma linha do gráfico. Nome de urna aparece sempre em destaque maior que o nome civil, porque é como o eleitor conhece a pessoa.
Identidade dos lugares
Um mesmo prédio pode aparecer com números diferentes ao longo dos anos, e uma cidade pode mudar de zona eleitoral. O site une esses registros num local só quando há evidência (mesmo nome, mesmo endereço, continuidade das seções) e mostra o rastro dessa união. Quando dois locais diferentes têm o mesmo nome na mesma cidade, o desempate é pelo endereço.
Partidos
PMDB e MDB, DEM e UNIÃO, SD e SOLIDARIEDADE são o mesmo partido em anos diferentes. Toda conta que agrupa por partido unifica as siglas antes de somar. O que sobra de fusão e federação continua inflando qualquer medida de "troca de partido" — por isso, onde publicamos volatilidade, publicamos também a mesma conta por pessoa.
Marcadores do TSE que não são gente
Os códigos 95 e 96 são branco e nulo. O 97 é "voto anulado e apurado em separado" — não é candidato nem voto válido, e conta por fora do comparecimento. Os textos #NE e #NULO# são marcadores de vazio, não nomes.
Voto de legenda
Só existe em cargo proporcional (vereador e deputado): é o voto no número de dois dígitos do partido. Em prefeito, governador e senador, número de dois dígitos é o próprio candidato.
De que partido é a legenda: do número, não do nome escrito. O arquivo do TSE grava o votável de legenda ora pela sigla ("PTB"), ora pelo nome inteiro ("Partido Trabalhista Brasileiro"), conforme o ano — e o nome inteiro não casa com a sigla dos candidatos. Aqui o partido é identificado pelos dois primeiros dígitos do número, que é o que estava na urna. Conferido no acervo inteiro: dentro de um mesmo ano e cargo proporcional, esse prefixo aponta sempre a mesma sigla, sem exceção. A coligação da legenda é copiada da dos candidatos do mesmo partido naquela cidade, e só quando todos concordam; quando as fichas divergem, fica em branco em vez de escolher uma.
3. As contas, com a fórmula e o limite de cada uma
🧾 Cada número importante do site tem um recibo. Nas telas, ao lado dos números que a gente calcula — o quociente eleitoral, a conta da vitória, o piso e o teto de transferência entre turnos, a proporção de voto entre chapa e prefeito — existe um botão "ver o cálculo". Ele abre o que entrou na conta, a conta escrita por extenso e o resultado, com os números daquela cidade e daquele ano. A ideia é simples: se você não puder refazer a conta no papel, o número não serve. Nada aqui é caixa-preta.
4. O que este site NÃO faz, e por quê
Lei de Benford como detector de fraude. Virou moda na internet e a ciência que a estudou concluiu o contrário. A premissa dela não vale para voto de urna, que não atravessa várias ordens de grandeza; os testes acusam eleição limpa e deixam passar eleição suja; e no Brasil o número sai do boletim de urna gerado pela máquina, sem mão humana no dígito. É caçar impressão digital numa superfície onde ninguém encostou.
Dizer a quem a abstenção ajudou. Quem não foi votar não deixou preferência registrada em lugar nenhum. Medimos onde faltou gente; qualquer conta que transforme abstenção em voto de alguém é chute.
Afirmar transferência de voto. Coincidir no território é dado. Dizer que o voto foi transferido é interpretação, e resultado de urna não prova isso.
Deduzir parentesco por sobrenome. Toda relação de parentesco no site vem com a fonte na própria linha, e o servidor descarta relação sem prova.
Prever eleição. O laboratório de cenários redistribui os votos que existiram. É conta, não previsão — e o rótulo aparece onde não dá para não ler.
5. Diário de correções
Cada linha abaixo é um conserto que rodou neste servidor. O número à direita é o resultado que o próprio servidor registrou na hora.
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6. Onde reclamar de um número
Se você encontrar um número que não bate com o que sabe, fale. Toda tela do site tem a fonte no rodapé e o caminho até o arquivo público do TSE. Um erro apontado por quem conhece a cidade vale mais do que dez conferências automáticas — e vira linha nova nesta página.